GALERA, ESTE TEXTO EU ESCREVI APENAS COMO UM DESABAFO. ESPERO QUE SIRVA PARA VOCÊS PERDEREM ALGUNS MINUTOS, E PRINCIPALMENTE PARA SE EMPENHAREM EM COMPRAR UM CARRO, PQ DEPENDER DE ÔNIBUS É PÉSSIMO.....
NÁTHALY SARDINHA
Foi em uma manhã de sábado, daquelas em que o sol é quente e o vento é frio. Eu acordei cedo e fui para o ponto de ônibus esperar por aquele que me levaria ao último de meus compromissos semanais: uma aula que termina às 13:00.
Apesar do cansaço e da preguiça, me sentia feliz. Pensava no alívio que seria dali em diante não depender mais dos antigos passes, afinal de contas, havia feito meu cartão de estudante e iria usá-lo pela primeira vez. Portanto, as quase duas horas de espera para tê-lo em mãos, valeriam a pena.
Me lembrei das várias situações desagradáveis que passei pela falta do cartão. Situações que, coincidentemente, aconteciam sempre nas manhãs de sábado, com os ônibus que me levam à aula.
Uma vez, entrei no ônibus com meus R$ 1,80 e onde estava o cobrador? Não tinha cobrador, e o motorista me disse que eu precisaria de um passe. Tentando ser útil, me mandou comprar um, "naquele barzinho ali da rua de trás". Ótimo! Desci do ônibus e fui ao tal barzinho, que por sinal é o único local do bairro onde ainda vendem o passe de ônibus. Chegando lá, às 10:10 encontrei tudo fechado e fui informada por um vizinho, de que o local só funciona à partir das 17:00.
Felicíssima, voltei ao ponto e esperei novamente pelo ônibus, que chegou com outro motorista e a mesma ausência de cobrador. Contei minha história, e este simpático motorista aceitou me dar uma carona até um lugar onde poderia comprar um bendito passe. Atrasada e nervosa, cheguei ao meu destino.
Em outra ocasião, entrei em outra linha do mesmo bairro. Mais uma vez sem passe, tive que comprar de um passageiro salafrário, que me vendeu um mísero passe por R$ 5,00 alegando não ter troco.
De repente, no sábado de sol forte e vento frio, minhas lembranças foram interrompidas por uma mulher que passava pelo mesmo problema, do qual eu lhes falava: a falta de um passe.
Com aquele sorriso amarelo de passageiro fora da roleta, ela se dirigiu diretamente à mim pedindo: "você tem um passe pra me vender"?
Até me deu vontade de rir. Não é possível que nunca vou conseguir me livrar dessa chatice!
Disse que infelizmente não tinha, porque eu usava cartão. Mas contei brevemente minhas histórias à ela, e dei um conselho de passageira experiente. Ela deveria pedir aquela caroninha básica até o vendedor de passes.
Sei lá por quê, ela não gostou da idéia e me perguntou se eu não poderia passar o cartão pra nós duas, e receber a passagem dela em dinheiro.
Na dúvida de se isso era possível ou não, resolvi seguir meu coração solidário e aceitei a proposta. Mesmo porque, ela me disse que já havia feito isso outras vezes, sem nenhum tipo de problema. Quando o ônibus chegou, deixei que todos entrassem e, eu mesma, passei meu cartão naquele negócio, depois que o motorista o liberou. A mulher entrou, e me olhando com cara de periquito sonolento, o motorista liberou aquilo pra mim. Passei meu cartão e o negócio respondeu com um "PI PI PIIIIII" ridículo, que fez o ônibus inteiro me olhar com cara de interrogação.
O periquito então arregalou os olhos, e me disse com voz cruel: "cartão de estudante só se passa uma vez". Fiquei sem palavras por um segundo, até que a indignação tomou conta de mim.
COMO NÃO PODE? O SENHOR ME VIU PASSAR O CARTÃO PRA ELA, POR QUÊ NÃO AVISOU? E SE O CARTÃO É MEU E EU QUERO DAR UMA PASSAGEM DE PRESENTE Á ELA? HEIN? HEIN? E fiquei sem resposta.
Que absurdo, já não se pode mais nem fazer caridade. Lá estava eu novamente, mendigando um passe aos passageiros.
Gostaria de saber como vai funcionar o transporte coletivo para as pessoas que não são da cidade, como turistas ou pessoas da região, que eventualmente precisem do ônibus e não tem o cartão. Será que foi firmado algum tipo de contrato entre as empresas de transporte coletivo e os taxistas de Ribeirão Preto? Ou a intenção é algum programa do tipo "Turistas Bons de Pernas"? Porque se os ônibus não tem cobradores, e já quase não se encontra lugares para comprar passe, aqueles que não tem o cartão precisarão rodar a cidade a pé.
Tudo bem que os cartões tem seu lado bom, mas isso não justifica o incômodo e o mau atendimento aos passageiros, além do desemprego de vários cobradores.
E já que o assunto é transporte coletivo, me permitam escrever um pouco mais.
Em outra manhã de sábado, esperei pelo ônibus durante uma hora e exatos quinze minutos. O ônibus não apareceu, não mandou notícias nem substitutos, e me fez perder a aula daquele dia. Enfurecida e abandonada pelos outros passageiros que cansados de esperar foram embora antes de mim, voltei para casa. Peguei o telefone e disquei o 118 em busca de satisfações que pudessem me acalmar. Depois de muito tempo de espera, com aquele TU TU TU invadindo meus tímpanos, consegui ser atendida.
"Bom dia, ......" me disse a voz entre outras coisas. "Bom dia", respondi seca. "Por favor, será que você pode me explicar por quê aquela m.... daquele ônibus não passou nenhuma vez em uma hora e quinze minutos? Por quê não mandaram outro ônibus? Tinha vários passageiros esperando, e blá blá blá..."
Sabe qual foi a resposta que obtive? "Com certeza houve algum problema e o ônibus não pôde chegar até aí, deseja mais alguma coisa?" Achei melhor desligar.
AHHHH, QUANTA EFICIÊNCIA! Ela simplesmente me disse tudo o que eu já sabia.
Quase sempre tenho a impressão de que isso tudo é um complô contra mim. Mas às vezes, conversando com outros passageiros, descubro que o complô na verdade, é contra nós.
Não sei se as pessoas não reclamam, ou se as empresas é que não atendem às reclamações. Seja lá o que for, saibam que todo este texto foi "baseado em uma história real", e que eu realmente espero que ele seja útil à qualquer uma das partes envolvidas.
Escrito por Jornalismo Unaerp - Etapa 6 às 22h05
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